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21/03/2017 - .: Pensar Brasil
Assembleia de Minas Gerais engrossa coro contra reforma
por FAP/MG

Comandado pelo partido de Temer, Legislativo mineiro apresenta moção contra a votação no Congresso da PEC que muda as aposentadorias. Comissão também foi criada para discutir o tema

21/03/2017 - Depois do governador Fernando Pimentel (PT), a Assembleia de Minas Gerais decidiu entrar na briga contra a Reforma da Previdência proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB). Sob o comando do peemedebista Adalclever Lopes, a Casa reuniu ontem sindicalistas com os deputados estaduais e federais para discutir o assunto em uma reunião que se tornou um ato contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 287/2016). Os deputados apresentaram uma moção de protesto a uma eventual votação do texto e anunciaram uma comissão que vai percorrer o estado discutindo o assunto.


Quem puxou os discursos contra a PEC do presidente Michel Temer foi o presidente da Assembleia, deputado Adalclever Lopes (PMDB), dizendo que o Legislativo não poderia se furtar ao debate. "Essa reforma nós somos todos contra porque ela é contra todos os brasileiros", afirmou. O presidente anunciou a criação de uma comissão que vai percorrer municípios mineiros para debater a PEC e indicou que o grupo deve fazer campanha contra a aprovação. "Não podemos permitir que esse mal seja feito aos trabalhadores", disse.

 

O deputado Gilberto Abramo (PRB), que teve o nome antecipado como presidente da Comissão da Reforma da Previdência antes mesmo de ser eleito, conforme determina o regimento interno da Assembleia, disse que o grupo será criado nesta semana e iniciará os trabalhos de imediato. A primeira reunião deve ser em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e, segundo ele, os deputados majoritários de cada local serão convidados.

 

Já a moção, endereçada aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), argumenta que o projeto "desgasta direitos sociais" e segue a mesma linha de um manifesto lançado na semana passada pela bancada do PMDB. Segundo o texto, não há provas do rombo na Previdência e, antes que se façam as mudanças de forma açodada, é preciso abrir as contas do setor.

 

Entre os pontos reprovados pelos parlamentares estão a idade de 65 anos para aposentadoria para homens e mulheres, o fim das aposentadorias especiais para professores e trabalhadores rurais e a precarização dos benefícios de prestação continuada. Os parlamentares contestaram o rombo na Previdência e defenderam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os reais valores das contas.

 

Conta - O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Fábio Ramalho (PMDB), engrossou o coro dos insatisfeitos, dizendo que o Brasil passa por dificuldades mas não é o trabalhador quem tem de pagar a conta. Ele disse acreditar que o projeto não terá votos suficientes nem na bancada mineira nem no conjunto do Legislativo para ser aprovado na Câmara. "É preciso ter uma reforma, mas uma reforma justa e que seja construída ouvindo a sociedade. Caberá a cada um de vocês procurar os 53 deputados federais e três senadores mineiros para cobrar essa posição", disse.

 

Todos os 53 deputados federais foram convidados, mas só 11 compareceram. Dos presentes, todos se posicionaram contra a reforma da Previdência. O deputado Eros Biondini (PROS) foi vaiado pelos sindicalistas no início de sua fala, mas, na sequência, ao anunciar que votará contra o projeto, conseguiu aplausos. "Além do meu voto contrário, convenci deputados do PROS a votar contra e estou trabalhando junto ao colégio de líderes para que este projeto não passe", afirmou.

 

Integrante de partido aliado a Temer, o deputado Júlio Delgado (PSB) disse que, apesar de seu partido ter "ministrozinho (o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho)", lutará já na comissão da reforma para que o texto seja rejeitado. "Sou contra a reforma da Previdência e talvez já esteja sendo hoje a favor da reforma da Presidência", afirmou, se referindo a um dos motes dos que pregam o "fora, Temer"".

 

FAP/MG - A Federação das Entidades dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais (FAP/MG) integra a Frente Popular Mineira em Defesa da Previdência Social, que lidera as mobilizações no Estado contra a PEC 287/2016. Para Robson de Souza Bittencourt, presidente da FAP/MG, o "posicionamento oficial da Assembleia mineira contra o desmonte da Previdência é mais um importante passo para a derrubada da proposta".


Bittencourt tem repetido que "de tão ruim, a PEC 287 não é uma proposta emendável, deve ser completamente derrotada, com a retirada de votação, abertura de diálogo com a população para definição das medidas realmente necessárias para fortalecer a Previdência Social".

 

 Estado de Minas - 21-03-2017

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