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18/03/2017 - .: Pensar Brasil
Câmara de Vereadores e entidades em Piracicaba (SP) criticam ameaças a direitos
por Tribuna Piracicabana (SP)

Sindifisco Nacional, Aojesp e Conespi destacam os perigos para a população a partir do texto apresentado pelo governo federal


18/03/2017 - Entidades de diferentes segmentos se unificam nas críticas ao texto da reforma da Previdência, proposto pelo presidente Michel Temer (PMDB). Na última sexta-feira (17), quando aconteceu o lançamento da campanha "Reforma da Previdência, Não!", desenvolvida pela Câmara Municipal de Piracicaba, o tom dos discursos focou nos perigos que a intenção do governo federal representa à população do País.


Antônio José Furlan, presidente do Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) em Piracicaba, disse que auditores com representações pelo país têm promovido seminários para esclarecer a população.


"Entendemos que o governo está fazendo isso de uma forma sem discutir com a sociedade, e quem está sendo prejudicado é aquele que ganha menos.


Estamos falando de supressão de benefícios", comentou Furlan, ao observar que desde 2011 a folha de pagamento de empresas de vários setores tem sido beneficiada com desonerações.


Mário Medeiros Neto, presidente da Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo), afirmou haver uma "guerra de informação" que precisa ser combatida. "A população precisa ser conscientizada para saber exatamente o que está ocorrendo e não ficar com a mentira que o governo paga para divulgar." Ele citou o exemplo de duas reportagens falaciosas: uma exibia a Avenida Paulista, em São Paulo, "tomada de gente contra a reforma da Previdência", e outra mostrava uma senhora de 80 anos que segue trabalhando.


"É a contrainformação a serviço do governo, que está pagando muito caro por isso. A propaganda do governo federal é mentirosa, tanto que foi retirada do ar por uma juíza do Rio Grande do Sul." O presidente da Aojesp disse que a reforma proposta representa a extinção da Previdência Social, "uma forma de arrecadação do governo sem contrapartida para o trabalhador", e destacou a importância de reagir a ela fazendo uso de informações corretas.


"Um motorista de táxi em São Paulo me falou: "Se sair a reforma da Previdência, meu filho vai se aposentar". Eu disse: "Não, pelo contrário! Se sair a reforma da Previdência, seu filho não vai se aposentar nunca, ele vai só contribuir a vida toda"", concluiu Medeiros Neto, para quem "os jovens devem ser parte ativa nessa ação, pois são o futuro do país".


O presidente da Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo), Mário Medeiros Neto, questionou um dos argumentos usados pelo governo Michel Temer (PMDB) para defender a reforma da Previdência Social: o de que a mudança no sistema é necessária em razão do aumento da expectativa de vida da população.


"De onde eles tiram essa média de idade, dizendo que todo mundo vai chegar saudável aos 80 anos para usufruir da aposentadoria? Uma pesquisa na cidade de São Paulo mostrou que na região nobre a expectativa de vida é de 78 anos, enquanto na região pobre é de 54 anos apenas. Ou seja, o sujeito vai morrer trabalhando", criticou.


O presidente do Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), Francisco Pinto Filho, afirmou que a reforma da Previdência proposta pelo governo Michel Temer (PMDB) coloca em risco o futuro do país. Ele defendeu a valorização dos sindicatos como forma de enfrentar os ataques que buscam enfraquecê-los com o objetivo de facilitar a aprovação de mudanças na lei. "As reformas trabalhista e da Previdência vão matar mais gente que as drogas. Precisamos conscientizar a todos, é o futuro de nossas crianças [que está em risco]", enfatizou.


Presidente do SindBan (Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região), José Antonio Fernandes Paiva exigiu justiça aos trabalhadores, afirmando não serem eles os devedores da Previdência, pois "já contribuem na folha de pagamento". O ex-vereador ironizou o uso do termo "reforma" para tratar da proposta.


"É uma "demolição" da Previdência, com interesse claro em privilegiar a previdência privada, que cresceu 26,1% em 2016, algo em torno de R$ 42 bilhões a mais em faturamento", comentou.


Jefferson Goularte, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Piracicaba, disse que "estar na campanha é uma obrigação social" da entidade. O advogado ressaltou que o comando nacional da OAB "já se posicionou contra a reforma da Previdência" e disse que as mudanças propostas pelo governo federal serão tema de debate na subsecção local.


CAMPANHA - Lançada oficialmente nesta sexta-feira (17), a campanha "Reforma da Previdência NÃO!" coletará adesões para o abaixo-assinado que será enviado ao Congresso Nacional, onde tramita a Proposta de Emenda à Constituição 287/2016. A partir deste sábado (17), voluntários estarão em pontos de grande circulação de pessoas recolhendo assinaturas para o documento.


Outra forma de manifestar apoio à campanha é assinando a petição on-line contra a reforma da Previdência, que também será encaminhada a deputados federais e senadores. Para isso, basta clicar no site AVAAZ e informar nome completo e um endereço de e-mail. Lançada na última segunda- feira (13), a petição já conta com cerca de 900 assinaturas.


A campanha "Reforma da Previdência NÃO!" tem como parceiros a Prefeitura, o Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) 8ª Subsecção, o Colegiado das Lojas Maçônicas de Piracicaba e Região, o Conselho de Pastores de Piracicaba, o Sindireceita (Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal), a Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo) e o Sindifisco Nacional.

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