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15/08/2019 - Notícias da FAP/MG
Aposentadas e pensionistas presentes na Marcha das Margaridas
por FAP/MG e Cobap

Marise Sansão, presidente da Federação da Bahia

 

15/08/2019 - Marise Sansão, presidente da Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas da Bahia (Feasapeb) e diretora do Sindipetro-BA , foi uma das representantes do movimento nacional dos aposentados e pensionistas na 6ª Marcha das Margaridas, realizada nos dias 13 e 14 deste mês, em Brasília.

 

A Marcha é considerada pelo Ministério Público Federal como o maior movimento de mulheres do campo, da floresta e das águas da América Latina. Reúne agricultoras familiares, ribeirinhas, quilombolas, pescadoras, extrativistas, camponesas, aposentadas e pensionistas, quebradeiras de coco, trabalhadoras urbanas e dos movimentos feministas e de mulheres indígenas de todo o País.

 

Cerca de 100 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios. Mas não houve encontro com o governo. Quebrando a tradição, em sua sexta edição, a marcha assumiu caráter de contestação e não de negociação. O tema de 2019 foi “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”.

 

Marise disse satisfeita: “participei de quase todas edições da Marcha. Para mim, é sempre uma honra e muito importante, pois é luta justa por políticas públicas que correspondam às necessidades das mulheres brasileiras, que, atualmente, estão enfrentando tantas dificuldades por parte das ações governamentais”.

 

Marcha das Margaridas 2019


HOMENAGEM - Margarida é uma flor muito popular, sempre bem-vinda em qualquer jardim. Margarida Maria Alves foi uma sindicalista, assassinada em 1983, aos 50 anos de idade, por enfrentar barões do açúcar na Paraíba.

 

A cada quatro anos, desde o ano 2000, mulheres vindas do país inteiro marcham vários quilômetros em Brasília, em honra da memória de Margarida Alves e para apresentar sua pauta de reivindicações por mais direitos e pela manutenção daqueles que já possuem.

 

O ato faz parte da agenda permanente do movimento sindical de trabalhadoras rurais e de movimentos feministas do Brasil. Elas são principalmente do campo. São sem-terra, agricultoras familiares, acampadas, assentadas, assalariadas, trabalhadoras rurais, artesãs, extrativistas, quebradeiras de coco, seringueiras, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas, indígenas. Nas cinco versões anteriores, a organização da Marcha das Margaridas entregou sua pauta de reivindicações ao governo federal da época.

 

Neste ano e neste governo, nenhum diálogo seria possível ou desejável.

 

Simbolicamente, margarida tornou-se a flor que personifica a resistência ao que é ofertado pelo governo Bolsonaro: avanço como nunca visto no desmatamento na Amazônia - que aumentou 67% neste ano pelos dados oficiais do Inpe -; liberação desenfreada do registro de agrotóxicos e aumento da violência, com as propostas de armamento.

 

Mesmo sem aviso e sem convites, dezenas de parlamentares estiveram no ato de encerramento da marcha.

 

Participar das discussões e do caminhar com essas mulheres é ter a oportunidade de testemunhar a grandeza de sua luta, que implica dias na estrada, vindas de lugares distantes, com muita disposição para criar fronteiras contra as políticas destrutivas e obscurantistas de um governo boçal e inconsequente, de um presidente sexista, para quem qualquer protagonismo feminino seria um problema. Uma luta central no nosso país, sobretudo na atual conjuntura, notadamente triste, de fanatismo e bizarrices, de superficialidades em várias dimensões, em que se busca roubar qualquer esperança de futuro.

 

Diz-se que sementes de hoje são flores do porvir. Digo eu que margaridas nos ensinam que a realidade que é vivida aqui e agora, mesmo que se trate de experiência dolorosa, nos apresenta o futuro que podemos imaginar. Nos mostram, com sua garra e disposição, que somos capazes de refundar nossa democracia e reinventar nossa política.

Plantar no hoje, colher adiante.

(Texto em AZUL de Tânia Maria Saraiva de Oliveira - do jornal Brasil de Fato)

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