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30/09/2019 - Notícias da FAP/MG
Quase 39 milhões de brasileiros trabalham na informalidade
por FAP/MG

30/09/2019 - O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, na sexta-feira (27/9), que 38,8 milhões de pessoas trabalham no Brasil na chamada informalidade ou, mais corretamente, na ilegalidade


São empregados sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria, empregadores sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares. Todos eles não contibuem para o INSS e não tem assegurada nenhuma proteção social atual ou futura. Esse contingente representa 41,4% da população empregada no país, a maior taxa desde que o IBGE passou a calcular esse indicador, em 2016.


O número de trabalhadores por conta própria chegou a 24,3 milhões, novo recorde na série histórica do IBGE. Também houve recorde no número de empregados sem carteira assinada: 11,8 milhões.


A analista do IBGE Adriana Beringuy diz que o aumento da informalidade ocorre até em setores que tradicionalmente se contrata com carteira assinada, como a indústria e a as atividades de informação.


"Temos um mercado de trabalho que absorve pessoas, mas essa inserção não se dá pelos vínculos tradicionais da carteira", diz.


O recorde na informalidade ajudou a baixar a taxa de desemprego do país para 11,8% no trimestre encerrado em agosto, contra 12,3% no trimestre encerrado maio. No mesmo trimestre do ano anterior, a taxa era de 12,1%.


Em relação ao trimestre anterior, houve aumento do emprego na indústria e na construção. Segundo Beringuy, nos dois casos, o crescimento está ligado a trabalhadores por conta própria - com confecções, beneficiamento de alimentos e construção de imóveis.


Já em comparação com o ano anterior, os setores que se destacam são transporte, armazenagem e correio, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias profissionais e administrativas e outros serviços.


No caso do transporte, a alta foi provocada pela busca pela renda como motorista de aplicativos, diz a analista do IBGE. Foram 226 mil novos trabalhadores nesse setor em um ano.


Com o aumento do emprego informal, a população ocupada bateu recorde no país, chegando a 93,6 milhões de pessoas.


São 604 mil pessoas a mais do que no trimestre anterior. Deste total, 87,1% são trabalhadores considerados informais.


"Do ponto de vista quantitativo, temos a expansão, sim, da ocupação. No entanto, do ponto de vista qualitativo, o processo de inserção desses trabalhadores tem sido em função da informalidade", disse Beringuy.


De acordo com ela, a maior informalidade pode explicar também por que o aumento da população empregada não se reflete em crescimento no contingente de contribuintes ao INSS, que está perto do piso histórico, em 62,4% do total.


"Normalmente, com mais trabalhadores [ocupados], seria de se esperar aumento no contingente que contribui", comentou a analista, ressaltando que os novos empregos são sem carteira ou de empregadores sem CNPJ, grupos que não costumam contribuir.


O maior número de trabalhadores informais também pressiona para baixo o valor médio do rendimento do trabalhador, que fechou o trimestre em R$ 2.298, e vem se mantendo estável apesar da queda do desemprego.

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